Arquivo da tag: racismo

A igualdade é branca

Gianni Carta

16 de maio de 2011

Os franceses lembram-se com orgulho da gloriosa seleção que derrotou o Brasil na final da Copa do Mundo de 1998. Era um time multirracial, um reflexo, ao menos em tese, da composição étnica de uma França que teria acolhido de braços abertos cidadãos de ex-colônias e de departamentos fora da metrópole. Após aquela inesquecível vitória, os heróis da seleção desfilaram nos Champs Élysées, artéria principal de Paris. Tremulavam bandeiras tricolores, as “Bleus, Blancs, Rouge”, enquanto o povo homenageava Les Bleus, então aclamados os “Blancs, Blacks, Beurs”, estes últimos a identificar aqueles oriundos do Norte da África.

 Lilian Thuram, pilar da defesa da seleção de 98, mais de 140 partidas com a camisa dos Les Bleus, é de Guadalupe. Patrick Vieira nasceu no Senegal, Marcel Desailly em Gana, e o capitão Zinedine Zidane, de Marselha, é filho de refugiados argelinos. Mas, se aquela mescla de bleus incluía futebolistas habilidosos e alguns geniais, e com excelente jogo de equipe, ela encarnava na verdade a ilusão de um suposto multiculturalismo francês. Neste país onde a neofascista Marine Le Pen chegaria, segundo as atuais pesquisas, no segundo turno das eleições presidenciais no início de 2012, o futebol parece estar em sintonia com os humores de significante fatia dos eleitores com inclinações racistas. Continuar lendo

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Vá procurar sua turma, senhor.

Nós não queremos pessoas como o senhor nos representando.

 

Ecos da escravidão

Cynara Menezes

9 de março de 2011

Nunca o fosso entre a segurança de brancos e negros foi tão grande. Enquanto o número de assassinatos de uns cai, o dos outros segue em alta.

No anúncio de tevê feito para atrair turistas pelo governo da Bahia, o menino dizia que, quando crescesse, queria ser capoeirista como o pai. Por volta das 10 da noite de 21 de novembro do ano passado, Mestre Ninha, pai de Joel da Conceição Castro, chamou os filhos para dentro de casa, no instante em que a polícia fazia uma incursão pelo bairro onde mora a família, Nordeste de Amaralina, um dos mais violentos de Salvador. Segundos depois, o garoto foi atingido por uma bala perdida e morreu. Tinha 10 anos de idade.

A história do menino que não realizou seu sonho por não ter crescido, infelizmente, não é exceção. Como ele, cerca de outras 50 mil crianças, jovens e adultos, morrem vítimas de assassinato todos os anos no País, brancos e negros. Mas negros, como Joel, morrem em proporção muito maior. E o pior: a diferença tem aumentado nos últimos anos. Em 2002, foram assassinados 46% mais negros do que brancos. Em 2008, a porcentagem atingiu 103%. Ou, em outras palavras, para cada três mortos, dois tinham a pele escura. Quem maneja os dados preliminares de 2009 diz que a situação piorou ainda mais.

Não bastasse, os crescentes investimentos em segurança pública feita pelos estados e pela União parecem ter beneficiado, como de costume, a “elite branca”, como definiu o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo. Entre 2002 e 2008, o número de brancos assassinados caiu 22,3%. A morte de negros cresceu em proporção semelhante: os índices foram 20% maiores, em média. Em algumas unidades da federação, os números se aproximam de características de extermínio: na Paraíba, campeã dessa triste estatística, são mortos 1.083% (isso mesmo) mais negros do que brancos. Em Alagoas, 974% mais. E na Bahia, a terra do menino Joel, os assassinatos de negros superam em 439,8% os de brancos.

Até mesmo entre os suicidas os negros mortos superaram os brancos. Houve crescimento de 8,6% nos suicídios de cidadãos brancos, mas, entre os negros, os que tiraram a própria vida aumentaram 51,3%. Continuar lendo

Infância sem racismo-Participe

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Monteiro Lobato, Pedrinho e o racismo no Brasil.

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