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O beijo na Bandeira Nacional: Dilma, primeira Presidenta brasileira


Denise de Paula Resende

Belo Horizonte, MG

Sou mulher e tenho 28 anos. Até os 15, morava na capital paulista, onde nasci. Vivi em casa, desde criança, no mundo de Lula. Meu pai era metalúrgico e trabalhava nos movimentos sindicais e, depois, partidários. Cresci nos ombros dele em grandes comícios do PT, gritando LULA LÁ e balançando as bandeiras que minha mãe mesma confeccionava. Lula lá, brilha uma estrela… Talvez eu não entendesse o que era o “lá”, mas eu sabia bem que uma estrela brilhava. Eu gostava desse verso. PT era o Partido dos Trabalhadores e meu pai era trabalhador. Eu também sabia disso porque quase não o via em dias de semana. Crescia assim. Era menina que ia a reuniões de partido, fazia boca de urna e ouvia bem atenta as histórias sobre a ditadura. Na verdade, sempre quis ser um pouco mais velha e pintar meu rosto para comparecer nas Diretas Já. Meus colegas do colegial eram liberados do horário de aula para participar desse movimento. Sentia pesar por não ter nascido pelo menos uns 10 anos antes. Vivi o LULA LÁ, no grito; e, no meu primeiro voto, venci com o AGORA É LULA. Também levei o Lula para a faculdade. Em minhas pesquisas de iniciação científica e de mestrado, constou o nome desse agente político quase como uma marca registrada, um rastro.

Pergunto-me: por que nasce agora este anseio de escrever sobre o que sinto hoje, depois de tanto tempo inerte diante do idealismo sob o qual fui criada? No dia 1º de janeiro de 2011, marejei olhos, coração e razões com o que mostraram as sem-número de telas espalhadas pela vastidão deste país. Aquelas e aqueles brasileiros que puderam estar em Brasília foram privilegiados por fazerem juntos a amplitude de mais uma reatualização do canto “olê, olê olê, olá, Lula, Lula”, como gesto de despedida ao Homem. Foram oito anos de uma história impagável de um presidente chamado Lula e, atrás dos oito anos, mais do que o dobro de tempo de uma outra história, aquela que o levou ao poder. Foi o lado de passando para o lado de . A margem ocupando o centro. Não era uma tomada de poder, mas era o povo, privado desse poder por anos a fio, chegando lá, orgulhando-se de ser representado por Ele, que foi pobre e que é povo.

Em ocasiões diversas das celebrações da posse da nova Presidenta, boa parte das emissoras “limpou”, em suas retransmissões, a força dessa expressiva voz do povo. Não duvidemos: preferiram que nós tivéssemos mais ouvidos para a almofadada voz de seus comentários enaltecedores e cheios de malícias que ludibriam. Preparam-se para continuar sua missão de formar imaginários viciados em manter a classe dominante no poder, desenvolvendo sempre projetos obcecados pela marcha alienadora da produção de opiniões massificadas – uma outra ditadura, tão silenciosa quanto perigosa. Visões perigosas que querem não torturar, mas entortar olhares; vozes que não autuam, mas que algemam a capacidade de autonomia para a reflexão crítica. Vão continuar não admitindo que Lula é um dos homens mais respeitados do planeta, querendo retirar-lhe a honra tatuada em seu nome.

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Foi Dilmais – Posse da presidenta Dilma

1o de janeiro de 2011. Brasília.

Lili (Eliane de Andrade)

1o de janeiro de 2011. Brasília.

Desde a manhã, o dia ameaçava comprometer a felicidade de quem ia ver
a posse da Presidenta. Ora chuva, ora sol, mas céu ameaçador.
Possivelmente fruto do mau humor dos psdbistas. Que, fora os
empossados em tapete vermelho e tédio hoje, onde estarão?
Mas por volta do meio dia, Brasília e todo o mundo que veio para cá,
começam a invadir a Esplanada dos Ministérios. Chuva torrencial, capas
sendo vendidas , sombrinhas, e todos muito elegantes. Dos rincões do
Brasil, dos escapados das infames posses sudestinas, dos felizes
nordestinos, todos vão chegando maravilhosos às proximidades da Praça
do Planalto e do outro lado, onde se perfilavam orgulhosos de sua
primeira Presidenta, as forças armadas.
Pomposos carros negros, belas e orgulhosas batedoras mulheres, homens
felizes, apaziguados por não precisarem estar em luta constante contra
elas.
Brasília, desfazendo-se em água por todo o dia, com mínima trégua para
a revista das tropas pela elegante, em pérola, Presidenta.O povo fiel,
presente e expectante pelo aceno dela, exultava durante o primeiro dia
desta nova década.
Lula, lembrado todo o tempo, mais emotivo que todos, como sabido.
Que honra ser brasileira! Que orgulho estar aqui!

Lili (Eliane de Andrade)

Texto e foto