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A verdadeira história de Gaza

Postado em 12 jul 2014

 

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-verdadeira-historia-de-gaza-um-artigo-de-robert-fisk/

ROBERT FISK

Publicado originalmente no Independent.

OK, só nessa tarde, o escore de dois dias de mortes é 40 mortos palestinos e nenhum morto israelense. Passemos agora à história de Gaza de que ninguém falará nas próximas horas.

 É terra. A questão é terra. Os israelenses de Sderot estão recebendo tiros de rojões dos palestinos de Gaza, e agora os palestinos estão sendo bombardeados com bombas de fósforo e bombas de fragmentação pelos israelenses. É. Mas e como e por que, para início de conversa, há hoje 1 milhão e meio de palestinos apertados naquela estreita Faixa de Gaza?

As famílias deles, sim, viveram ali, não eles, no que agora é chamado Israel. E foram expulsas – e tiveram de fugir para salvar suas vidas – quando foi criado o estado de Israel.

E – aqui, talvez, melhor respirar fundo antes de ler – o povo que vivia em Sederot no início de 1948 não eram israelenses, mas árabes palestinos. A vila palestina chamava-se Huj. Nunca foram inimigos de Israel. Dois anos antes de 1948, os árabes de Huj até deram abrigo e esconderam ali terroristas judeus do Haganah, perseguidos pelo exército britânico. Mas quando o exército israelense voltou a Huj, dia 31/5/1948, expulsaram todos os árabes das vilas… para a Faixa de Gaza! Tornaram-se refugiados. David Ben Gurion (primeiro primeiro-ministro de Israel) chamou a expulsão de “ação injusta e injustificada”). Pior, impossível. Os palestinos de Huj, hoje Sderot, nunca mais puderam voltar à terra deles.

E hoje, bem mais de 6 mil descendentes dos palestinos de Huj – atual Sderot – vivem na miséria de Gaza, entre os “terroristas” que Israel mente que estaria caçando, e os quais continuam a atirar contra o que foi Huj.

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A história do direito de autodefesa de Israel é a história de sempre. Hoje, foi repetida e a ouvimos mais uma vez. E se a população de Londres estivesse sendo atacada como o povo de Israel? Não responderia? Ora bolas, sim. Mas não há mais de um milhão de ex-moradores de Londres expulsos de suas casas e metidos em campos de refugiados, logo ali, numas poucas milhas quadradas cercadas, perto de Hastings!

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Gaza – A perversidade de quem um dia foi perseguido…

Debora Cattani

Publicado em: http://www.ligiadeslandes.com.br/12/07/2014/gaza-a-perversidade-de-quem-um-dia-foi-perseguido/

Sou judia. Já morei em Israel. Já morei a 15 minutos da Faixa de Gaza. Mas cresci boa parte da vida no Brasil, distante do conflito. Tive uma educação judaica até os 15 anos.

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Sou filha de professora e obviamente, como jornalista, não sou alienada. Não consigo entender essa guerra,  que é tão próxima e tão irreal. O que exatamente os não-judeus nos fizeram para termos tanto ódio?

Chamo assim, pois o estado de Israel é um estado JUDEU e não aceita outras religiões, salvo em Jerusalém, que pasmem, é uma cidade laica.

Não são só muçulmanos que estão morrendo. Aliás, os árabes não são um única religião, existem árabes católicos, ateus e até mesmo judeus.

O que o estado de Israel está fazendo é desumano.

Mais desumano que o holocausto, mais duradouro que o holocausto, mais pertinente que o holocausto, pois hoje em dia todo o mundo pode ver com os próprios olhos e MESMO assim, poucos reagem.

Óbvio que a guerra tem dois lados e muitos judeus morrem também. Mas a proporção é absurda. A cada bomba lançada sobre Israel, 30 são devolvidas para Gaza. Dizem que três adolescentes judeus morreram… E as 14 CRIANÇAS que perderam a chance de ter uma vida longa em Gaza?

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Não há culpa coletiva na faixa de Gaza

José Antônio Lima

Publicado em

http://www.cartacapital.com.br/internacional/nao-ha-culpa-coletiva-na-faixa-de-gaza-6583.html

Em 04/08/2014 12:01, última modificação 04/08/2014 16:28

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Vamos começar refletindo sobre as duas frases abaixo.

“Quando você faz parte de um processo eleitoral que (elege) uma organização terrorista que proclama em palavras e ações que seu principal objetivo é destruir o seu país vizinho e não construir escolas, comércio ou postos de trabalho, você é cúmplice e não uma vítima civil.”

“O povo é quem escolhe o governo por vontade própria, uma escolha que decorre de seu acordo com suas políticas. (…) O povo é que financia os ataques contra nós (…) por meio de seus candidatos eleitos. (…) É por isso que o povo não é inocente por todos os crimes cometidos.”

O primeiro comentário é de David-Seth Kirshner, presidente do Conselho de Rabinos de Nova York, que na semana procurou justificar os ataques das Forças Armadas de Israel contra civis palestinos na Faixa de Gaza. O segundo é de Osama bin Laden.

É altamente perturbador quando um líder religioso legítimo e conceituado, caso de Kirshner, passa a usar o mesmo tipo de retórica do maior terrorista da história. Esse tipo de argumento, no entanto, tem surgido entre os defensores de Israel. Ele aparece à medida que o mundo entende como falaciosa a tese do “direito à defesa”, uma contradição em termos tendo em vista o cerco terrestre, aéreo e naval mantido por Israel e pelo Egito à Faixa de Gaza nos últimos nove anos. Surge, também, como resposta à pressão internacional sobre Israel, por causa do grande número de vítimas civis deixado pela Operação Protective Edge.

Há inúmeras tentativas de explicar, do lado israelense, a quantidade de vítimas civis. O jornal The Times of Israel concluiu em reportagem que os números são inflados apenas como propaganda do Hamas. O editorial do jornal seguiu linha semelhante, mas questionou por que a operação Protective Edge tem tanta cobertura e o confronto na Síria ficou de lado. Outras tentativas de explicar a morte dos civis são bem mais desconcertantes.

É o caso dos que defendem que os palestinos merecem morrer porque o Hamas foi eleito em 2006. Além da fala do rabino nova-iorquino, dois textos são emblemáticos nesse sentido. No jornal The Washington Post, o colunista Charles Krauthammer direcionou suas críticas não ao Hamas, mas a todos os “palestinos de Gaza”: “Eles elegeram o Hamas. Então, em vez de construir um Estado com suas instituições políticas e econômicas de atendimento, passaram a maior parte de uma década transformando Gaza em uma base militar em massa, repleto de armas terroristas, para fazer a guerra incessante em Israel”. No Wall Street Journal, Thane Rosenbaum, diretor do Fórum de Direito, Cultura e Sociedade na Faculdade de Direito da Universidade de Nova York, foi mais explícito. “O povo de Gaza elegeu esmagadoramente o Hamas (…). O que eles acharam que ia acontecer? Em algum nível básico, você perde seu direito de ser chamado de civil, quando elege livremente os membros de uma organização terrorista como estadistas.”

Além da perversidade dessa “teoria”, análoga à usada por Bin Laden para justificar a morte de civis no 11 de Setembro, ela resulta de uma generosa dose de ignorância histórica, política, matemática e jurídica.

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Obama e Gaza- Latufff

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Publicado em: http://latuffcartoons.wordpress.com/

Não em meu nome

Recuso-me a acumpliciar-me com esta agressão. O exército israelense não me representa, o governo ultranacionalista não me representa. Os assentados ilegalmente são meus inimigos. Eu, judeu brasileiro, digo: ACABEM COM A OCUPAÇÃO!!!

29/07/2014

Por Marcelo Gruman

Publicado em http://www.brasildefato.com.br/node/29359

Na minha adolescência, tive a oportunidade de visitar Israel por duas vezes, ambas na primeira metade da década de 1990. Era estudante de uma escola judaica da zona sul da cidade do Rio de Janeiro. As viagens foram organizadas por instituições sionistas, e tinham por intuito apresentar à juventude diaspórica a realidade daquele Estado formado após o holocausto judaico da Segunda Guerra Mundial, e para o qual todo e qualquer judeu tem o direito de “retornar” caso assim o deseje. Voltar à terra ancestral. Para as organizações sionistas, ainda que não disposto a deixar a diáspora, todo e qualquer judeu ao redor do mundo deve conhecer a “terra prometida”, prestar-lhe solidariedade material ou simbólica, assim como todo muçulmano deve fazer, pelo menos uma vez na vida, a peregrinação a Meca. Para muitos jovens judeus, a visita a Israel é um rito de passagem, assim como para outros o destino é a Disneylândia.

A equivalência de Israel e Disneylândia tem um motivo. A grande maioria dos jovens não religiosos e sem interesse por questões políticas realizam a viagem apenas para se divertir. O roteiro é basicamente o mesmo: visita ao Muro das Lamentações, com direito a fotos em posição hipócrita de reza (já viram ateu rezando?), ao Museu da Diáspora, ao Museu do Holocausto, às Colinas do Golan, ao Deserto do Neguev e a experiência de tomar um chá com os beduínos, ir ao Mar Morto e boiar na água sem fazer esforço por conta da altíssima concentração de sal, a “vivência” de alguns dias num dos kibutzim ainda existentes em Israel e uma semana num acampamento militar, onde se tem a oportunidade de atirar com uma arma de verdade. Além, é claro, da interação com jovens de outros países hospedados no mesmo local. Para variar, brasileiros e argentinos, esquecendo sua identidade étnica comum, atualizavam a rivalidade futebolística e travavam uma guerra particular pelas meninas. Neste quesito, os argentinos davam de goleada, e os brasileiros ficavam a ver navios.

Minha memória afetiva das duas viagens não é das mais significativas. Aparte terconhecido parentes por parte de mãe, a “terra prometida” me frustrou quando o assunto é a construção de minha identidade judaica. Achei os israelenses meio grosseiros (dizem que o “sabra”, o israelense “da gema”, é duro por natureza), a comida é medíocre (o melhor falafel que comi até hoje foi em Paris…), é tudo muito árido, a sociedade é militarizada, o serviço militar é compulsório, não existe “excesso de contingente”. A memória construída apenas sobre o sofrimento começava a me incomodar.

Nossos guias, jovens talvez dez anos mais velhos do que nós, andavam armados, o motorista do ônibus andava armado. Um dos nossos passeios foi em Hebron, cidade da Cisjordânia, em que a estrada era rodeada por telas para contenção das pedras atiradas pelos palestinos. Em momento algum os guias se referiram àquele território como “ocupado”, e hoje me envergonho de ter feito parte, ainda que por poucas horas, deste “finca pé” em território ilegalmente ocupado. Para piorar, na segunda viagem quebrei a perna jogando basquete e tive de engessá-la, o que, por outro lado, me liberou da experiência desagradável de ter de apertar o gatilho de uma arma, exatamente naquela semana íamos acampar com o exército israelense.

Sei lá, não me senti tocado por esta realidade, minha fantasia era outra. Não encontrei minhas raízes no solo desértico do Negev, tampouco na neve das colinas do Golan. Apesar disso, trouxe na bagagem uma bandeira de Israel, que coloquei no meu quarto. Muitas vezes meu pai, judeu ateu, não sionista, me perguntou o porquê daquela bandeira estar ali, e eu não sabia responder. Hoje eu sei por que ela NÃO DEVERIA estar ali, porque minha identidade judaica passa pela Europa, pelos vilarejos judaicos descritos nos contos de Scholem Aleichem, pelo humor judaico característico daquela parte do mundo, pela comida judaica daquela parte do mundo, pela música klezmer que os judeus criaram naquela parte do mundo, pelas estórias que meus avós judeus da Polônia contavam ao redor da mesa da sala nos incontáveis lanches nas tardes de domingo.

Sou um judeu da diáspora, com muito orgulho. Na verdade, questiono mesmo este conceito de “diáspora”. Como bem coloca o antropólogo norte-americano James Clifford, as culturas diaspóricas não necessitam de uma representação exclusiva e permanente de um “lar original”. Privilegia-se a multilocalidade dos laços sociais. Diz ele:

As conexões transnacionais que ligam as diásporas não precisam estar articuladas primariamente através de um lar ancestral real ou simbólico (…). Descentradas, as conexões laterais [transnacionais] podem ser tão importantes quanto aquelas formadas ao redor de uma teleologia da origem/retorno. E a história compartilhada de um deslocamento contínuo, do sofrimento, adaptação e resistência pode ser tão importante quanto a projeção de uma origem específica.

Há muita confusão quando se trata de definir o que é judaísmo, ou melhor, o que é a identidade judaica. A partir da criação do Estado de Israel, a identidade judaica em qualquer parte do mundo passou a associar-se, geográfica e simbolicamente, àquele território. A diversidade cultural interna ao judaísmo foi reduzida a um espaço físico que é possível percorrer em algumas horas. A submissão a um lugar físico é a subestimação da capacidade humana de produzir cultura; o mesmo ocorre, analogamente, aos que defendem a relação inexorável de negros fora do continente africano com este continente, como se a cultura passasse literalmente pelo sangue. O que, diga-se de passagem, só serve aos racialistas e, por tabela, racistas de plantão. Prefiro a lateralidade de que nos fala Clifford.

Ser judeu não é o mesmo que ser israelense, e nem todo israelense é judeu, a despeito da cidadania de segunda classe exercida por árabes-israelenses ou por judeus de pele negra discriminados por seus pares originários da Europa Central, de pele e olhos claros. Daí que o exercício da identidade judaica não implica, necessariamente, o exercício de defesa de toda e qualquer posição do Estado de Israel, seja em que campo for.

Muito desta falsa equivalência é culpa dos próprios judeus da “diáspora”, que se alinham imediatamente aos ditames das políticas interna e externa israelense, acríticos, crentes de que tudo que parta do Knesset (o parlamento israelense) é “bom para os judeus”, amém. Muitos judeus diaspóricos se interessam mais pelo que acontece no Oriente Médio do que no seu cotidiano. Veja-se, por exemplo, o número ínfimo de cartas de leitores judeus em jornais de grande circulação, como O Globo, quando o assunto tratado é a corrupção ou violência endêmica em nosso país, em comparação às indefectíveis cartas de leitores judeus em defesa das ações militaristas israelenses nos territórios ocupados. Seria o complexo de gueto falando mais alto?

Não preciso de Israel para ser judeu e não acredito que a existência no presente e no futuro de nós, judeus, dependa da existência de um Estado judeu, argumento utilizado por muitos que defendem a defesa militar israelense por quaisquer meios, que justificam o fim. Não aceito a justificativa de que o holocausto judaico na Segunda Guerra Mundial é o exemplo claro de que apenas um lar nacional única e exclusivamente judaico seja capaz de proteger a etnia da extinção.

A dor vivida pelos judeus, na visão etnocêntrica, reproduzida nas gerações futuras através de narrativas e monumentos, é incomensurável e acima de qualquer dor que outro grupo étnico possa ter sofrido, e justifica qualquer ação que sirva para protegê-los de uma nova tragédia. Certa vez, ouvi de um sobrevivente de campo de concentração que não há comparação entre o genocídio judaico e os genocídios praticados atualmente nos países africanos, por exemplo, em Ruanda, onde tutsis e hutus se digladiaram sob as vistas grossas das ex-potências coloniais. Como este senhor ousa qualificar o sofrimento alheio? Será pelo número mágico? Seis milhões? O genial Woody Allen coloca bem a questão, num diálogo de Desconstruindo Harry (tradução livre):

– Você se importa com o Holocausto ou acha que ele não existiu?

– Não, só eu sei que perdemos seis milhões, mas o mais apavorante é saber que recordes são feitos para serem quebrados.

O holocausto judaico não é inexplicável, e não é explicável pela maldade latente dos alemães. Sem dúvida, o componente antissemita estava presente, mas, conforme demonstrado por diversos pensadores contemporâneos, dentre os quais insuspeitos judeus (seriam judeus antissemitas Hannah Arendt, Raul Hilberg e Zygmunt Bauman?), uma série de características do massacre está relacionada à Modernidade, à burocratização do Estado e à “industrialização da morte”, sofrida também por dirigentes políticos, doentes mentais, ciganos, eslavos, “subversivos” de um modo geral. Práticas sociais genocidas, conforme descritas pelo sociólogo argentino Daniel Feierstein (outro judeu antissemita?), estão presentes tanto na Segunda Guerra Mundial quanto durante o Processo de Reorganização Nacional imposto pela ditadura argentina a partir de 1976. Genocídio é genocídio, e ponto final.

A sacralização do genocídio judaico permite ações que vemos atualmente na televisão, o esmagamento da população palestina em Gaza, transformada em campo de concentração, isolada do resto do mundo. Destruição da infraestrutura, de milhares de casas, a morte de centenas de civis, famílias destroçadas, crianças torturadas em interrogatórios ilegais conforme descrito por advogados israelenses. Não, não são a exceção, não são o efeito colateral de uma guerra suja. São vítimas, sim, de práticas sociais genocidas, que visam, no final do processo, ao aniquilamento físico do grupo.

Recuso-me a acumpliciar-me com esta agressão. O exército israelense não me representa, o governo ultranacionalista não me representa. Os assentados ilegalmente são meus inimigos.

        Eu, judeu brasileiro, digo: ACABEM COM A OCUPAÇÃO!!!

(1) Marcelo Gruman é antropólogo.

Referências bibliográficas:

CLIFFORD, James. (1997). Diasporas, in Montserrat Guibernau and John Rex (Eds.) The Ethnicity Reader: Nationalism, Multiculturalism and Migration, Polity Press, Oxford.

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We are Israeli reservists. We refuse to serve.

 

Fonte: http://www.washingtonpost.com/posteverything/wp/2014/07/23/we-are-israeli-reservists-we-refuse-to-serve/

Whenever the Israeli army drafts the reserves — which are made up of ex-soldiers — there are dissenters, resisters, and AWOLers among the troops called to war. Now that Israel has sent troops to Gaza again and reserves are being summoned to service, dozens are refusing to take part.

We are more than 50 Israelis who were once soldiers and now declare our refusal to be part of the reserves. We oppose the Israeli Army and the conscription law. Partly, that’s because we revile the current military operation. But most of the signers below are women and would not have fought in combat. For us, the army is flawed for reasons far broader than “Operation Protective Edge,” or even the occupation. We rue the militarization of Israel and the army’s discriminatory policies. One example is the way women are often relegated to low-ranking secretarial positions. Another is the screening system that discriminates against Mizrachi (Jews whose families originate in Arab countries) by keeping them from being fairly represented inside the army’s most prestigious units. In Israeli society, one’s unit and position determines much of one’s professional path in the civilian afterlife.

To us, the current military operation and the way militarization affects Israeli society are inseparable. In Israel, war is not merely politics by other means — it replaces politics. Israel is no longer able to think about a solution to a political conflict except in terms of physical might; no wonder it is prone to never-ending cycles of mortal violence. And when the cannons fire, no criticism may be heard.

This petition, long in the making, has a special urgency because of the brutal military operation now taking place in our name. And although combat soldiers are generally the ones prosecuting today’s war, their work would not be possible without the many administrative roles in which most of us served. So if there is a reason to oppose combat operations in Gaza, there is also a reason to oppose the Israeli military apparatus as a whole. That is the message of this petition:

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 We were soldiers in a wide variety of units and positions in the Israeli military—a fact we now regret, because, in our service, we found that troops who operate in the occupied territories aren’t the only ones enforcing the mechanisms of control over Palestinian lives. In truth, the entire military is implicated. For that reason, we now refuse to participate in our reserve duties, and we support all those who resist being called to service.

The Israeli Army, a fundamental part of Israelis’ lives, is also the power that rules over the Palestinians living in the territories occupied in 1967. As long as it exists in its current structure, its language and mindset control us: We divide the world into good and evil according to the military’s categories; the military serves as the leading authority on who is valued more and who less in society — who is more responsible for the occupation, who is allowed to vocalize their resistance to it and who isn’t, and how they are allowed to do it. The military plays a central role in every action plan and proposal discussed in the national conversation, which explains the absence of any real argument about non-military solutions to the conflicts Israel has been locked in with its neighbors.

The Palestinian residents of the West Bank and Gaza Strip are deprived of civil rights and human rights. They live under a different legal system from their Jewish neighbors. This is not exclusively the fault of soldiers who operate in these territories. Those troops are, therefore, not the only ones obligated to refuse. Many of us served in logistical and bureaucratic support roles; there, we found that the entire military helps implement the oppression of the Palestinians.

Many soldiers who serve in non-combat roles decline to resist because they believe their actions, often routine and banal, are remote from the violent results elsewhere. And actions that aren’t banal — for example, decisions about the life or death of Palestinians made in offices many kilometers away from the West Bank — are classified, and so it’s difficult to have a public debate about them. Unfortunately, we did not always refuse to perform the tasks we were charged with, and in that way we, too, contributed to the violent actions of the military.

During our time in the army, we witnessed (or participated in) the military’s discriminatory behavior: the structural discrimination against women, which begins with the initial screening and assignment of roles; the sexual harassment that was a daily reality for some of us; the immigration absorption centers that depend on uniformed military assistance. Some of us also saw firsthand how the bureaucracy deliberately funnels technical students into technical positions, without giving them the opportunity to serve in other roles. We were placed into training courses among people who looked and sounded like us, rather than the mixing and socializing that the army claims to do.

The military tries to present itself as an institution that enables social mobility — a stepping-stone into Israeli society. In reality, it perpetuates segregation. We believe it is not accidental that those who come from middle- and high- income families land in elite intelligence units, and from there often go to work for high-paying technology companies. We think it is not accidental that when soldiers from a firearm maintenance or quartermaster unit desert or leave the military, often driven by the need to financially support their families, they are called “draft-dodgers.” The military enshrines an image of the “good Israeli,” who in reality derives his power by subjugating others. The central place of the military in Israeli society, and this ideal image it creates, work together to erase the cultures and struggles of the Mizrachi, Ethiopians, Palestinians, Russians, Druze, the Ultra-Orthodox, Bedouins, and women.

We all participated, on one level or another, in this ideology and took part in the game of “the good Israeli” that serves the military loyally. Mostly our service did advance our positions in universities and the labor market. We made connections and benefited from the warm embrace of the Israeli consensus. But for the above reasons, these benefits were not worth the costs.

By law, some of us are still registered as part of the reserved forces (others have managed to win exemptions or have been granted them upon their release), and the military keeps our names and personal information, as well as the legal option to order us to “service.” But we will not participate — in any way.

There are many reasons people refuse to serve in the Israeli Army. Even we have differences in background and motivation about why we’ve written this letter. Nevertheless, against attacks on those who resist conscription, we support the resisters: the high school students who wrote a refusal declaration letter, the Ultra orthodox protesting the new conscription law, the Druze refusers, and all those whose conscience, personal situation, or economic well-being do not allow them to serve. Under the guise of a conversation about equality, these people are forced to pay the price. No more.

Yael Even Or

Efrat Even Tzur

Tal Aberman

Klil Agassi

Ofri Ilany

Eran Efrati

Dalit Baum

Roi Basha

Liat Bolzman

Lior Ben-Eliahu

Peleg Bar-Sapir

Moran Barir

Yotam Gidron

Maya Guttman

Gal Gvili

Namer Golan

Nirith Ben Horin

Uri Gordon

Yonatan N. Gez

Bosmat Gal

Or Glicklich

Erez Garnai

Diana Dolev

Sharon Dolev

Ariel Handel

Shira Hertzanu

Erez Wohl

Imri Havivi

Gal Chen

Shir Cohen

Gal Katz

Menachem Livne

Amir Livne Bar-on

Gilad Liberman

Dafna Lichtman

Yael Meiry

Amit Meyer

Maya Michaeli

Orian Michaeli

Shira Makin

Chen Misgav

Naama Nagar

Inbal Sinai

Kela Sappir

Shachaf Polakow

Avner Fitterman

Tom Pessah

Nadav Frankovitz

Tamar Kedem

Amnon Keren

Eyal Rozenberg

— Alguns trechos em português

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Khaled Meshaal – HAMAS (entrevista)

O líder do Hamas, Khaled Meshaal, concedeu uma entrevista exclusiva à BBC no Catar, onde vive.

Trechos:

BBC: Por quanto tempo o senhor está preparado para ver esse conflito continuar?

Khaled Meshaal: O sofrimento e a catástrofe humanitária são a essência do Estado de Israel. Nós somos as vítimas. Espero que esse confronto acabe o mais rápido possível. Essa é uma guerra que Netanyahu (Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel) lançou contra Gaza sem qualquer justificativa. Ele usou o argumento dos assentamentos na Cisjordânia e está se vingando de nós. Ele quis se vingar de Gaza e agradar seus oponentes políticos usando para isso o sangue palestino.

BBC: Por quanto tempo o senhor está preparado para ver esse conflito continuar mesmo depois de uma trégua?

Khaled Meshaal: Não rejeitamos nenhuma iniciativa que atenuasse o ataque e o cerco a que somos submetidos. O que nos ofereceram foi um cessar-fogo que, pelo contrário, fortaleceria o bloqueio – e os moradores de Gaza já estão cansados de um isolamento forçado que já dura oito anos. Esse bloqueio injustificável já matou mais do que guerras anteriores.

BBC: O senhor defende o fim do bloqueio a Gaza. Mas uma trégua não seria a melhor opção nesse momento?

Khaled Meshaal: Não. Essa é a posição dos moradores de Gaza, do Hamas, da Jihad Islâmica, da Frente Popular e dos palestinos em geral. Todos estão nos dizendo: “Não aceitem um cessar-fogo”. Queremos que, em primeiro lugar, esse bloqueio seja suspenso. Os bancos mundiais vêm pressionando os bancos palestinos para não enviar dinheiro a Gaza. Os moradores de Gaza estão morrendo. Imagine a Grã-Bretanha – a maior ilha do Atlântico – sendo submetida a cerco semelhante. O que os britânicos fariam?

BBC: O Hamas é acusado pelo governo de Israel de, deliberadamente, colocar em perigo a vida de civis. Qual é a sua opinião sobre isso?

Khaled Meshaal: Os números contam uma história diferente. Você pode usar as estatísticas da forma como quiser. Nós temos mais de 700 mártires. Muitos deles são civis e isso é confirmado por Israel.

BBC: Mas o senhor é acusado de deliberadamente colocar em perigo a vida de palestinos na Faixa de Gaza.

Khaled Meshaal: Quem deve assumir a culpa pelo que está acontecendo? Os ocupantes, os colonos – esse é o terceiro ataque contra Gaza – ou aquele que se defende? Quando a Grã-Bretanha abrigou de Gaulle (o general francês Charles de Gaulle), que, usando a BBC, lançou uma guerra de resistência contra os nazistas de Paris, seria ele o responsável pela morte dos franceses? Ou simplesmente tentou apontar o caminho para liberá-los da ocupação nazista? O que está acontecendo em Gaza é um problema do mundo. Tal como os sul-africanos, os palestinos querem viver sem ocupação, sem assentamentos. É hora de a comunidade internacional colocar um fim à última ocupação na história, a ocupação palestina.

BBC: Mas o Hamas é acusado de deliberadamente colocar em perigo as vidas dos palestinos ao usá-los como escudos humanos.

Khaled Meshaal: Isso é mentira. O Hamas está se defendendo, está sacrificando a sua própria liderança em consideração por seu povo. O único responsável pela morte de palestinos é Israel, que usa (jatos) F16 e armas ocidentais e americanas. Quando o Hamas ou qualquer outro membro do movimento de resistência se defende contra os ocupantes, estão protegendo o seu próprio povo. Permita-me voltar à comparação com de Gaulle. Ao lançar um apelo pela resistência, o general francês queria destruir o seu povo ou proteger os franceses da ocupação nazista? Estamos fazendo o que qualquer um faria se submetido a essa opressão.

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