Arquivo da tag: Copa 2014

OS SETE MITOS DAS ELEIÇÕES 2014

por José Roberto Toledo, Daniel Bramatti, Daniel Trielli, Diego Rabatone, Lucas de Abreu Maia e Rodrigo Burgarelli.

Publicado em: http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/outras-palavras/contra-histeria-os-7-mitos-da-eleicao/

===
MITO 1: FOI O NORDESTE QUE ELEGEU DILMA
É claro que o desempenho de Dilma no Nordeste foi crucial para a sua vitória – lá, ela teve 20 milhões de votos no segundo turno, o que correspondeu 72% do total de válidos. Mas a presidente reeleita obteve um apoio razoável em todas as cinco regiões. Seu menor porcentual de votos válidos foi no Sul, onde ela teve o apoio de 41% dos eleitores que escolheram um candidato.Na verdade, a impressão de que o Nordeste sozinho é o grande responsável pela reeleição de Dilma é fortalecida quando se vê o mapa eleitoral de cada Estado pintado por quem teve o maior porcentual de votos ali. Nesse mapa, metade do Brasil aparece pintado de azul, como se ela tivesse ido em direção totalmente oposta à outra metade, vermelha. O deputado estadual eleito Coronel Telhada (PSDB-SP) chegou a defender a independência do Sul e do Sudeste por causa disso. Mas, na verdade, dos dez Estados em que Dilma obteve menor votação, apenas três estão nessas regiões: SC, SP e PR. Todos os outros estão ou no Norte ou no Centro-Oeste. Visualmente, é possível ver como o apoio a Dilma se espalha pelo Brasil pelo gráfico de relevo ao lado – nenhuma das duas maiores “montanhas” que representam o número absoluto de votos está no Nordeste.
Eleições1
 MITO 2: PALANQUE ESTADUAL INFLUENCIA ELEITORES
Pesquisas e resultados eleitorais voltaram a demonstrar que a maioria dos eleitores não faz conexão entre o voto para presidente e para governador. Apesar da prática tradicional dos presidenciáveis de buscar “palanques fortes” nos Estados – alianças com candidatos a governador -, não há evidências de que isso renda votos.Apoiado por praticamente toda a cúpula do PMDB do Rio de Janeiro, o tucano Aécio Neves buscou popularizar a chamada “chapa Aezão”, na esperança de que os eleitores de Luiz Fernando Pezão votassem também nele. Os mapas de votação de ambos, porém, mostram que não houve sintonia eleitoral.Pesquisa Ibope divulgada pouco antes do 2º turno mostrou que, dos eleitores de Pezão, seis em cada dez pretendiam votar em Dilma Rousseff. Marcelo Crivella, adversário do peemedebista, fez campanha explícita para Dilma – mas isso não impediu que cerca de 40% de seus eleitores manifestassem intenção de votar em Aécio.

 

Eleições2

 MITO 3: PESQUISAS ERRAM RESULTADO DA URNA
 Embora alguns insistam que as pesquisas de intenção de voto consistentemente erram o resultado das urnas, não é o que mostram os dados – tanto os das eleições de domingo quanto os e históricos. A vitória de Dilma Rousseff (PT) na disputa pela Presidência foi prevista pelo Ibope, que atribuía a ela 53% da preferência do eleitorado. Dilma recebeu 52% dos votos válidos, portanto dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos porcentuais.O Datafolha também atribuía favoritismo à petista, embora ela estivesse no limite do empate técnico com Aécio Neves (PSDB). Ambos os institutos descreveram, por meio dos números, a campanha do 2.º turno: Aécio começa à frente, carregado pelo embalo do 1o turno, em que teve votação superior ao esperado. Dilma se recupera na última semana, com uma insuficiente reação de Aécio na véspera do pleito. Para os institutos, os números exatos importam menos que o movimento descrito pelas curvas de intenção de voto de cada candidato. Sem elas, é impossível analisar qualquer campanha.Desde 2002, a diferença média da sondagem de véspera do dia da eleição de Ibope e Datafolha para o resultado do 2.º turno é de um ponto porcentual – portanto dentro da margem de erro. Assim, os institutos acertaram os resultados das eleições em todos os anos, mesmo em 2014, na disputa mais acirrada da história.

==

Continuar lendo

Anúncios

Prefeito Márcio Lacerda e vereadores venderam a minha rua!

Hoje fui surpreendido com a notícia, publicada nos jornais, de que a “PBH tem primeira vitória para vender terreno para a construção de hotel de luxo” e esse “terreno” é nada menos que a minha rua! Atenção: não é um lote na rua não, é a própria rua!!! A venda da rua, segundo o jornal, foi aprovada em primeiro turno por todos os vereadores, com a honrosa exceção de Iran Barbosa (PMDB), o único que parece ter conservado o sentido do cargo público que ocupa.
A história é a seguinte. Há alguns meses começou a correr o boato de que queriam construir, na Rua Musas, que tem apenas um quarteirão, no Bairro Santa Lúcia, um hotel de 30 andares, com 500 apartamentos. Nossa expectativa era de que a Prefeitura não autorizaria a obra, pois é óbvio que o local não comporta algo assim, porque o trânsito na Raja Gabaglia, na BR e no viaduto do BH-Shopping já é caótico, porque o meio-ambiente já está mais que comprometido e, principalmente, porque nós achávamos, os moradores, que a Prefeitura estava do nosso lado, e não do lado do tal hotel. Pode ser ingenuidade, mas tínhamos a ilusão democrática de que o poder público sempre está do lado do cidadão e não do dinheiro e da especulação imobiliária.

Mas a ameaça se mostrou muito maior do que qualquer expectativa catastrófica: não só, pelo visto, autorizaram a construção do tal hotel, como parece que o hotel é da prefeitura, já que vender a nossa rua é uma vitória do Sr. Márcio Laceda.

Sinceramente, nunca ouvimos, nós, os moradores, falar de vender rua. Na nossa ingenuidade, pensávamos que rua fosse um bem público, não propriedade do prefeito e dos vereadores. Belo Horizonte ficará à mercê dos interesses deles, que deixaram, pelo visto, de nos representar, para representar interesses que não respeitam nada, nem o que, por ser público, pertence a todos nós?

Esta mensagem pretende ser uma reclamação veemente contra esses senhores e senhoras irresponsáveis, que não se mostram dignos do cargo público que ocupam, mas pretende ser também um alerta: cuidado, pois se o prefeito e os vereadores entendem que podem vender minha rua, um dia podem vender também a sua!

Jacyntho Lins Brandão

Prof. da UFMG. Ex vice-Reitor

PBH tem primeira vitória para vender terreno para construção de hotel de luxo

Amanda Almeida

A Prefeitura de Belo Horizonte conseguiu sua primeira vitória na tentativa de vender trecho de uma rua no Bairro Santa Lúcia, na Região Centro-Sul, para empresa construir hotel de luxo. O polêmico Projeto de Lei 1.625/2011, que prevê a alienação de cerca de 1,7 mil metros quadrados da Rua Musas, foi aprovado nessa quinta-feira em primeiro turno pela Câmara Municipal, com apenas um voto contrário. Enquanto moradores reclamam de não terem sido consultados pela administração municipal, vereador questiona suposto favorecimento a um grupo privado.

 A empresa Tenco Realty já garantiu dois lotes no cruzamento da Avenida Raja Gabáglia com a BR-356, de frente para o BH Shopping, onde o metro quadrado está avaliado em cerca de R$ 1 mil, para a construção de hotel cinco estrelas. O problema é que, entre os dois terrenos, há o trecho da rua, atualmente não pavimentado. Para erguer o empreendimento, o grupo deseja unir os dois lotes por meio da rua. Segundo o vereador Tarcísio Caixeta (PT), líder de governo, estudos demonstram que há carência de hotéis em Belo Horizonte, e a construção de uma unidade da rede americana Hyatt, pela Tenco, é fundamental para a Copa do Mundo’2014.

 No projeto, a prefeitura prevê a alienação do trecho da rua para permuta ou venda. Em caso de troca, a administração receberia outro terreno ao doar a rua. Laudo da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) avalia o trecho da rua em R$ 3.577.780,11, em caso de venda. O vereador Iran Barbosa (PMDB), único presente em plenário nessa quarta contrário ao PL, questiona o uso do espaço público. “Belo Horizonte já tem tantos problemas com trânsito. Será que não era melhor pavimentar a rua? Como pode um projeto tão complexo passar sem discussão pela Casa”, disse. Continuar lendo