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Problema gigantesco

Drauzio Varella

24 de setembro de 2011

 Com 50 milhões de habitantes correndo o risco de contrair o HIV, a China vive um momento crítico para conter a epidemia.

 Parece que os chineses decidiram levar a sério a epidemia de Aids. Já não era sem tempo, durante muitos anos eles simplesmente ignoraram o que se passava. Até o fim de 2010, as autoridades governamentais haviam registrado 379 mil casos de infecção pelo HIV no país. O número de doentes com a Aids já instalada teria atingido 138 mil; e o de mortes pela doença, 72 mil. Esses números são questionados por epidemiologistas do Ocidente. O Center for Diseases Control, dos Estados Unidos, estima em 740 mil o verdadeiro número de infectados.

 Enquanto o tratamento antiviral, conhecido popularmente como coquetel, foi instituído no Brasil a partir de 1996, na China ele só se tornou disponível em 2002. O impacto foi claro: nos sete anos que se seguiram, a mortalidade caiu 64%. Os medicamentos, no entanto, chegam tarde demais para grande número de infectados: 82,4% dos que vão a óbito não tiveram tempo de recebê-los. Segundo o Ministério da Saúde da China, perto de 25% dos HIV positivos só fazem o teste na fase de Aids, quando já transmitiram o vírus para metade de seus parceiros sexuais.

 Para enfrentar o desafio do diagnóstico precoce, os chineses organizaram um programa para os próximos cinco anos com ênfase na detecção de casos novos e no acesso ao tratamento antiviral. Pretendem dessa forma reduzir em 25% o número de novas infecções e, em 30% a mortalidade, até 2015. A estratégia consiste em expandir os programas de detecção e o número de pacientes em tratamento. Hospitais das regiões com índices mais altos de infecção realizarão testes mandatórios nas populações de risco: homens que fazem sexo com homens, usuários de drogas injetáveis e profissionais do sexo.

 Há muito os especialistas consideram que testes mandatórios, além de atentar contra direitos individuais, são contraproducentes, porque afastam do sistema de saúde aqueles com comportamento de risco.

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O outro lado- China censura internet

Felipe Marra Mendonça

 O mês de abril mexeu com a internet na China. No dia 11, sites chineses sustentavam que o Baidu, principal buscador do país, tinha chegado a um acordo com o Facebook para a criação de uma rede social. O lançamento da rede ainda deve demorar, visto que joint ventures precisam da aprovação expressa do governo central chinês, e a nova empresa precisa ter, em seus quadros, executivos escolhidos pelo Facebook e pelo Baidu.

 O interesse da empresa chinesa por uma associação com a rede social americana tem fácil explicação. O número de usuários chineses do Facebook dobrou desde que Mark Zuckerberg, fundador da rede social, visitou a China em dezembro do ano passado.

 Ao mesmo tempo, a criação de uma rede social chinesa parece ser útil para o governo e o seu controle sobre os dissidentes políticos internos. Uma semana antes das especulações acerca do casamento entre o Facebook e o Baidu, no dia 7, cerca de 250 mil usuários chineses do Facebook simplesmente desapareceram dos cadastros do site. Segundo o China Digital Times, a queda de -usuários não foi gradual. Mais de 40% dos chineses cadastrados no site simplesmente sumiram da noite para o dia.

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