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A revolta da cachaça

Ernani Fagundes

Em 1660, indignados com os altos impostos e perseguidos por vender sua bebida, os donos de alambiques tomaram o poder no Rio de Janeiro. Foram derrotados, mas ganharam o respeito de Portugal

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Desde 1994, a cachaça é, por lei, definida como “produto cultural” do nosso país. Em meados do século 17, entretanto, a legislação sobre a bebida era bastante diferente. O Brasil era uma colônia, e os portugueses não permitiam que a aguardente fosse vendida. Embora as autoridades coloniais fizessem ameaças e apreensões, fazendeiros desafiavam a proibição para produzir cachaça.

 A região da então capitania do Rio de Janeiro concentrava boa parte dos alambiques. Em 1660, mesmo ano em que a Câmara dos Vereadores do Rio foi proibida de liberar o comércio da aguardente, os alambiqueiros fluminenses lideraram uma rebelião. Tomaram o poder e governaram a cidade por cinco meses. O movimento, conhecido como Revolta da Cachaça, foi derrotado, mas os produtores da bebida deixaram claro que mereciam ser respeitados. Conseguiram o perdão da coroa portuguesa e abriram caminho para a legalização da cachaça.

 A história da mais brasileira das bebidas começou cerca de um século antes do levante. Em 1532, o colonizador Martim Afonso de Souza trouxe mudas de cana-de-açúcar para a vila de São Vicente (hoje uma cidade no litoral de São Paulo). A cachaça surgiu poucos anos depois, quando alguém decidiu destilar resíduos do caldo de cana. Os engenhos de açúcar se espalharam pelas capitanias de Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro. E a cachaça seguiu o mesmo caminho.

 Se a bebida fez a alegria de colonos e nativos, a coroa portuguesa não achou graça na novidade. Portugal produzia sua própria aguardente, a bagaceira, a partir do bagaço de uva. Se o Brasil lançasse no mercado um produto semelhante, isso significaria mais concorrência e menos lucro para os produtores de Portugal. Assim, em 1635 surgiu a primeira lei proibindo o consumo da cachaça. Mas, como o poder de fiscalização das autoridades coloniais era pequeno, a bebida continuou sendo produzida e vendida.

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Cachaça made in Suiça

Tecnologia da UFMG que otimiza produção da cachaça é licenciada para empresa estrangeira.

Pesquisa que selecionou linhagem de leveduras Saccharomyces cerevisiae capazes de agilizar o processo de fermentação da cachaça foi objeto de transação entre a UFMG e a empresa suíça Danstar AG. Desenvolvida pelo professor Carlos Augusto Rosa, do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), a tecnologia foi transferida para que a empresa, produtora de leveduras para fabricação de bebidas alcoólicas, replique e comercialize a linhagem descoberta pelo período de 15 anos, com o pagamento de parte do valor das vendas à Universidade, devido aos royalties. Continuar lendo