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O avanço das bicicletas no Brasil e no mundo

Wendy Andrade

Publciado em: http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/07/o-avanco-das-bicicletas-brasil-e-mundo/

 Hoje, no Brasil, são mais de 60 milhões de bicicletas — metade usadas pela população para ir ao trabalho. Segundo a pesquisa Origem e Destino do metrô, aplicada na Região Metropolitana de São Paulo, o uso desse tipo de deslocamento aumentou 18% entre 1997 e 2008. 22% das viagens de bicicleta têm por motivo o alto custo da condução e 57%, a pequena distância da viagem.

Maiores reféns do trânsito, as grandes capitais já recebem algumas iniciativas. Por exemplo, as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo contam com o sistema de aluguel de bicicleta – Bike Rio e Ciclo Sampa – resultado da parceria entre as prefeituras e bancos. O projeto vem atraindo um grande número de adeptos. No Rio, a iniciativa aumentou o número de postos e bicicletas para atender a demanda.

world bike

Já a cidade de São Paulo não para por aí. O prefeito Fernando Haddad tem um projeto audacioso: criar 400 km de ciclovias na capital paulista até o final de 2015, inaugurando um trecho de rotas cicloviárias por semana, incomodado com o fraco desenvolvimento da cidade paulista quando comparada a outras metrópoles. Em Sampa, o trajeto de bicicleta abrange menos de 1%.

Porém, outra iniciativa na cidade já está em andamento: um bicicletário público com vestiário está sendo criado próximo a estação de metrô Faria Lima. O projeto, que partiu de um abaixo assinado com mais de 23 mil assinaturas, terá manobristas, armários, ferramentas para bicicleta, e funcionará 24 horas.

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Do 4×4 ao 2×2

No mundo rico, pesquisadores captam a troca do carro por ônibus, metrô, bicicleta ou caminhada.

Odd Andersen/AFP

 Estudiosos britânicos identificaram um fenômeno considerado impossível. Depois de mais de um século de crescimento contínuo, o uso de automóveis parece ter chegado ao máximo e, em alguns casos, como o de Londres, iniciado uma trajetória de queda. Embora a descoberta seja recente e ainda baseada em poucos anos de observação, os especialistas afirmam ter encontrado evidências de que o número de usuários de carros para se deslocar em metrópoles ricas não está mais diretamente conectado ao ciclo econômico. Ou seja, não responde necessariamente a recessões ou ao aumento da renda e do Produto Interno Bruto. Mais impressionante ainda é que, tudo indica, o fenômeno está associado ao desinteresse dos mais jovens pelos carros, maravilha tecnológica que marcou a virada do século XIX para o XX e que, no início do século XXI, pode perder seus status para o transporte público, as bicicletas e, claro, a caminhada.

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Mais um Ciclista Atropelado em São Paulo: Por uma Politização do Tempo

Wilson Roberto Vieira Ferreira

As imagens de ciclistas ativistas prestando luto e homenagem a mais uma vítima de atropelamento fatal no conflito bikes versus carros em São Paulo, tudo em meio a buzinas de motoristas irritados pelo grupo “atrapalhar” o fluxo do tráfego, são simbolicamente chocantes.  Sintomas de algo mais profundo: o culto da velocidade e domínio do tempo como fim em si mesmo, estilo de vida capaz de negar a morte e o luto. Portanto, cabe aos ciclistas  politizar o tempo!

 Após o atropelamento fatal do presidente da empresa Lorenzetti, Antonio Bertolucci, quando rumava de bicicleta para o seu local de trabalho, em São Paulo, ficaram duas imagens mostradas nos telejornais. A primeira, o capacete destroçado e a bicicleta retorcida, dando a dimensão da gravidade do atropelamento. E a segunda, a mais chocante pela brutalidade simbólica, a imagem das homenagens e luto de um grupo ciclistas ativistas no local do acidente, em meio as buzinas irritantemente insistentes de motoristas incomodados com a ocupação de parte da pista. Os motoristas nada mais enxergavam do que um grupo de desocupados prejudicando o tráfego que deveria ser mais veloz no local.

 Respeito? Luto? Nada se sobrepõem à necessidade de fluxo, escoamento, velocidade. Como já discutimos em postagem anterior (veja links abaixo) sobre o atropelamento serial de ciclistas ativistas em Porto Alegre, esse conflito carro versus bicicletas é sintoma de algo mais profundo, de um paradigma tecnológico que chamamos na oportunidade de “bomba tecnológica”. Continuar lendo