Bal (Honey, Um doce olhar)

Vampiros loiros de olhos azuis. Fantásticos e caríssimos efeitos especiais. Cenas de ação de tirar o fôlego, explosões magníficas e bastante violência. Além de celebridades americanas.

Nada disso você vai encontrar aqui. Bal é um filme simples, de orçamento pequeno, sem quaisquer efeitos especiais, que aposta numa história simples, bem contada e bem filmada.

Os dias de uma família turca, que habita as altas montanhas daquele país e retira o sustento do mel que Yakup colhe em suas várias colméias espalhadas pelas gigantescas árvores.

Erdal Beşikçioğlu

Enquanto luta para penetrar no mundo da leitura e da escrita, Yusuf acompanha o pai no trabalho com as colméias. E volta e meia investiga a pequena marcenaria para apreciar os progressos que faz na montagem de um pequeno veleiro.

O filme se desenvolve de maneira lenta, como lenta é a vida naquelas montanhas. E silenciosa, da mesma maneira que o filme, cujos sons vêem apenas do que a câmera capta.

A lentidão e o silêncio constituem a essência de Bal e permitem que os três atores dediquem-se a explorar os corpos como veículos expressivos fundamentais: os olhares, as palavras não ditas, o caminhar, as mãos.

Tulin Ozen

Num mundo onde tudo precisa ser espetacular, arrebatador e estridente para vender, é estimulante ver que ainda há pessoas que seguem no sentido contrário, explorando a economia das ações cotidianas, o pequeno, o simples. E construindo sentido nesta economia.

E nisto o pequeno Bora Altas parece um mestre. É extremamente gratificante perceber como uma gama enorme de sentimentos pode ser expressa com tão poucos recursos.  Os medos e desejos de uma criança, aqueles que a nós, adultos, parecem tão idiotas, ganham sua real dimensão quando expressos através de um verdadeiro personagem e não de caricaturas ou estereótipos tão comuns na maioria das produções.

Bora Altas

Para quem gosta de diversidade, de não ser obrigado a ver sempre as mesmas coisas, é ótimo saber que ainda é possível fazer cinema de excelente qualidade explorando apenas os recursos dos bons atores.

Adair Carvalhais Júnior

Uma resposta para “Bal (Honey, Um doce olhar)

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