À meia-noite, no Horto

victor_atleticomg_reu.jpg_95

Publicado em 31 mai 2013

Imagino o estado de angústia lancinante que nos últimos dias viveu o Atleticano Calejado pela Vida, precavido em qualquer circunstância, vendo seus PARES se entregarem às falácias de BELZEBU, que mostravam refletida em um espelho carcomido uma vitória fácil do Galo, um atropelamento, a pulverização sem mesuras do Tijuana. Quatro, cinco, seis a zero. Nenhum brasileiro no caminho, o Boca tombado em Rosario. O título, só uma questão de tempo. Todos contaminados pelas JUJUBAS peçonhentas do diabo, que no momento ninguém via, ninguém nunca vê, um doce para as papilas, mas um SUBORNO para o espírito.

 Bastaram doze SEGUNDOS para que se pudesse perceber que seria a noite mais longa da história recente do Galo, quando, após saída errada da bola no meio-campo, Riascos exigiu que Victor, então ainda um simples mortal, comparecesse e espalmasse para escanteio. Minutos depois, Tardelli concluiu de fora da área, para Saucedo, este eternamente um qualquer, fazer a defesa.

 A partida era tensa como praticamente ninguém esperava, exceto o Atleticano Calejado pela Vida, com os jogadores do Galo claramente nervosos, cometendo faltas aos BORBOTÕES, com a posse de bola, mas tentando acelerar as jogadas como quem passa fome. Porque o Tijuana, já havíamos visto desde a primeira fase, é mexicano, mas tem seus melindres. Conta com alguns bons jogadores, possui certa organização e estrutura de jogo, tudo obra do Turco Mohamed, em cujos ombros, alguns viram, estava sentado, de pernas cruzadas e fumando um GUDANG, el diablo, que sabe muito por ser velho, mas mais ainda por ser invisível.

 Os mexicanos, ainda que tenham se retraído, foram sempre perigosos, e pouco depois de terem um gol anulado, Ruiz cruzou da direita para Riascos apanhar de primeira, de chapa, cruzado, abrindo o placar. Ninguém pega uma bola daquela de primeira se não estiver com as COSTAS QUENTES com entidades suspeitas. Dois minutos depois, Marcos Rocha respondeu, chutando de dentro da área para Saucedo espalmar. A situação só não permaneceu tão escabrosa para o Galo porque mexicanos como mexicanos sempre marcarão e Réver, aos 40 minutos, sozinho como quem tem pensamentos PROFUNDOS, escorou um cruzamento de falta de Ronaldinho e decretou a igualdade.

 Apesar do empate, a verdade é que o Turco Mohamed (percebam que é um nome propício para transmutar-se em PORTA-VOZ da malícia) havia dobrado Cuca e o colocado no bolso como uma nota de 50 que mais tarde será transformada em cinzas nas lides da carpeta. E a segunda etapa inteira transcorreu em uma atmosfera de insegurança, com todas as veias da cancha abertas e levando a sabe-se lá quais VEREDAS.

O Galo mal conseguia entrar na área dos xolos, que aos poucos começaram a ameaçar em jogadas velozes, como aos 23, quando Richarlyson perdeu-se nas curvas da lateral-esquerda e deixou Martínez livre para servir Piceno, que obrigou Victor a protagonizar aquela que seria a maior defesa de sua vida pelos próximos vinte minutos. Minutos depois, Martínez chegou atrasado em uma bola desviada de escanteio. Arce, cobrando falta só no nome, também castigou a quina da trave. A euforia sonora do Independência nessa altura já havia se transformado naquele som que fazem as gargantas quando falta saliva.

 Quando Luan errou uma chance claríssima em frente a Saucedo, os torcedores que algum dia já foram apunhalados pela reversão de expectativas brutal e inesperada (todos os torcedores, na verdade, talvez exceto os do São Paulo), sabiam que não era o fim. Seria preciso um trago mais forte, um cigarro de palha para fulminar o pulmão. E aos 46, após um balão da zaga mexicana, Aguillar, liso como quem incorpora o Mal, escamoteou-se área adentro e sofreu pênalti de Leonardo Silva.

 Nunca houve um silêncio igual ao que então soterrou o Independência, oscilando abruptamente do rugido de caldeirão para uma madrugada deserta em uma cidade que ainda não foi fundada. Todos os semblantes se torceram dramaticamente, exceto o do Atleticano Calejado pela Vida, que permanecia igual: carregava a mesma tensão dos últimos dias, quando seus semelhantes eram ludibriados pela euforia. As máscaras que ousavam flertar com o pânico alheio agora pareciam a mais fina e PONTIAGUDA das ironias. Mas ainda assim, mesmo após todas as reversões, era um final demasiado previsível para o Galo – melhor time, com a mais perfeita campanha, jogando diante de todas as vantagens, caindo com um solavanco. ALGO ESTAVA ERRADO.

A trajetória do colombiano para bater o pênalti configurou-se numa FISSURA de tempo na história do Galo. Riascos correu para a bola em 1971, mas Victor lhe rebateu com um COICE em 2013. E este será daqueles lances que deixarão todas as versões e CORRUPTELAS possíveis, porque faz parte da muy restrita galeria de fatos que já nascem transformados em fábula. Se o Atlético vai levantar a Libertadores, e muita coisa leva a crer que deve ganhar, era preciso, além de mostrar um futebol cheio de LUZES, como vem acontecendo, encarar de frente sua recente coleção de decepções, de absurdos, de pedaços de títulos que ficaram pelo caminho. Era preciso apontar o dedo e prometer como fazem os ÉBRIOS diante do nada: Desta vez, não tem volta. Vai ser de qualquer jeito.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s