NÃO ADIANTA GRITAR QUE ELA É SURDA

Sim, até eu já escutei ai se eu te pego… O método da insistência derrota qualquer barreira fisiológica.

 Que época paradoxal. Nunca houve tanta música disponível e tantos músicos em atividade. Mas nas rádios, nas pistas, nos fones, celulares só se escuta delícia, delícia…

 Antes de mais nada, quero dizer que gostei da música cantada por Teló. Não a acho o mal do século, como muitos têm dito no Facebook e Twitter. A estes peço calma. O século está apenas começando.

 A música tem qualidades. Faz parte de um gênero incompreendido: o sertanejo universitário. O sertanejo tem apanhado da crítica e o universitário da polícia paulista.

 Invejo Teló. Demorei bem mais tempo para ter um clássico. E nunca um jogador famoso coreografou uma sonata minha.

 Como um dos primeiros românticos e apaixonado pelo lirismo dramático, implico um pouco com o verso que diz:

 A galera começou a dançar

E passou a menina mais linda

 Poderia ter sido escrito assim:

 Um conjunto de pessoas com afinidades se pôs a bailar

Quando transcorreu diante de meus olhos a mais formosa criatura

 Já vejo todo mundo cantando-a desse jeito no carnaval.

 Além do mais, tenho uma ligação com a música popular e sou chegado numa sanfona. Luiz Tatit e José Miguel Wisnik, na canção Baião de Quatro Toques, radiografaram bem esse aspecto. Conhece?  Nela eles usaram a estrutura de minha mais famosa sinfonia para fazer um baião.

 Uma parte da letra diz assim, ó:

 Pra quem compôs, pra quem tocou

e pra quem ouve

É o destino que sempre se quis

É uma quinta sinfonia de Beethoven

Que decantou e só ficou a raiz

 Aliás, gostaria que soubessem que a 5ª Sinfonia nem é a preferida de meu repertório. Gosto mais da Nona de Beethoven, que compus em homenagem à minha avó italiana.

Agora queria mudar de assunto. Pulemos de faixa. A motivação inicial deste post foi a minha audição, que anda meio esquisita.

 Esses dias, sentei-me na frente da tevê para assistir à implosão de um moinho. Olha o que provoca o recesso do futebol. Achei que ia só ver, mas fiquei feliz ao notar que eu estava reconhecendo o som de um apito de segurança. Logo depois, para minha surpresa, ouvi também o que parecia ser uma explosão. Mas o prédio não caiu, ficou quase intacto. A julgar pela imagem, o ouvido me enganou. Fiquei com dó maior do prefeito.

Mas o fato que me tem deixado intrigado depois que voltei a ouvir algumas coisas é o enorme silêncio da grande mídia em relação ao lançamento do A Privataria Tucana. Será que só eu escutei o barulho retumbante que o livro provocou nas redes sociais? Não pode ser. Ignorar esses sons é um tiro audível no pé. Não sou especialista em comunicação, meu negócio é música. Mesmo assim recomendo aos que silenciaram até agora que escutem o conselho de Teló: tomem coragem e comecem a falar. Senão vocês se matam.

Fonte

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