FILOSOFIVIS DO MÉ-MUSSUM

Há uma série de livros de divulgação filosófica que se valem de filmes, séries de televisão e ícones do entretenimento para trafegar certos conhecimentos que, de outro modo, ficariam confinadosao mundo acadêmico. Juan Antonio Riveira, por exemplo, aproveita clássicos do cinema,como Casabalanca e Cidadão Kane, para introduzir conceitos filosóficos em seu livro O Que Sócrates Diria a Woody Allen. Outro autor, chamado William Irwin, vem investindo nesse filão e já emplacou vários sucessos como A Filosofia Segundo Seinfeld, O Essencial e Definitivo – Harry Potter e a Filosofia e A Família Soprano e a Filosofia. Eu, honestamente, fiquei esperando que algum escritor ou professor de filosofia mais atento se debruçasse sobre minha vasta coleção de frases lapidares. Talvez minha maneira peculiar de usar o idioma tenha obscurecido a riqueza do material.

 Mas algumas das grandes questões estão lá: o que é a realidade em si mesma? O que é essencial? O que é certo e o que é errado? Cansado de aguardar por algum intelectual que não tenha mais o que fazer, decidi eu mesmo realizar a tarefa. Como Wittgenstein, acredito que os problemas filosóficos tradicionais são resultantes de confusões linguísticas. Adianto aqui um pouco do livro que em breve pretendo publicar Mussum e a Filosofivis do Mé.

 Se suco de cevadiss atrapalha seu casamentiss, abandone sua mulher, cacildiss!!

 Procurei com esse aforismo uma aproximação com o poeta inglês William Blake, que certa feita disse: “O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria”. Mais que uma apologia ao álcool, a frase conclama o homem a perseguir os seus desejos mais persistentes. E extrair da vida, através da disciplina, não só seu fruto, mas seu suco. No caso, “de cevadiss”. Colocar o consumo de álcool à frente de uma relação marital é um exagero cômico que questiona a importância de um dos valores fundadores de qualquer sociedade: a família.

 Vai caçá sua turmis!

 Esse modo vulgar e insolente de expressar contrariedade eclipsa uma sofisticada abordagem psicológica. Ao corromper a forma original “vai procurar tua turma”, demonstrei que o processo de busca da identidade, a partir do olhar do outro, é uma verdadeira caça. Cujo êxito só é alcançado por meio de múltiplas experiências. Daí a necessidade de verter o substantivo turma, que em si já encerra a ideia de coletivo, para sua forma inexistente no plural “turmis”. Algo conseguido com o acréscimo de uma esdrúxula apóstrofe “s”. Esta última, incluída para satirizar o processo de submissão da identidade brasileira à americana.

 Casa, comida, três milhão por mês, fora o bafo!

 O dito popular “casa, comida e roupa lavada” expressa o denominador mínimo para que um indivíduo mantenha sua dignidade e uma vida confortável. Na versão paródica, a expectativa é quebrada pela inclusão de “três milhão milhão por mês, fora o bafo”  e supressão de “comida e roupa lavada”. Essa inversão levanta uma questão fundamental da filosofia: o que é essencial e o que é supérfluo?

 Tá tudo muito parádis? Toma um mé que o mundo vai girarzis!

 Com essa frase, creio que consegui explicar de uma maneira bem simples a teoria da relatividade. Há também aqui um paralelo com o mito da caverna de Platão. Onde o mundo parado é a sombra projetada na parede e o mé representa a realidade ou a libertação.

  Ai que pênis.

 Essa era só pra fazer graça mesmo.

Fonte

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