Mariana Botelho

afinação

há que se aprender a tirar silêncio

das coisas

quando uma coisa produz silêncio

ela está

pronta

**

náufragos

nossas bocas

nossas mãos

pequenos afluentes de silêncio

submersos

nem nas palavras que calamos

nos encontramos

**

nascente

córrego

cachoeira

ribeirão

eu choro

pra pertencer à paisagem

**

eu não sei medir o

tempo

meu pai me deu esse olho de pássaro

pra mim o

tempo

voa

**

de novo

dia

alma de hortelã

e névoa

o silêncio perdoa

meu corpo

magro

perdoa

o homem

que se foi

é setembro

basta uma oração

e é manhã de novo

***

Mariana Botelho

o silêncio tange o sino

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