Blog do Gallup

DESPREZO AOS BRANCOS E NULOS

Em 1936, o instituto de pesquisa fundado por mim se notabilizou por prever corretamente a vitória de Franklin Roosevelt sobre Alf Landon na corrida à Casa Branca. O que causou sensação foi o fato de a predição de meu instituto ter se baseado em apenas 5 mil entrevistas, contra os 2 milhões de enquetes realizadas pela instituição rival, a Literary Digest, que previu a vitória de Landon. Já em 1948, aplicando o meu consagrado método de pequenas amostragens, previ que Thomas Dewey derrotaria Harry S. Truman e chegaria a Presidência dos EUA. O resultado das urnas provou que eu estava equivocado em 15 pontos porcentuais.

Tentei encontrar explicações para tamanho erro. Formulei hipóteses diversas, dediquei horas de estudo para encontrar as causas que motivaram essa enorme discrepância. Mas quer saber? A elucidação dessa questão era muito simples. Mas só aprendi com a maturidade. Hoje posso dizer. Minha explicação para o erro e acerto é uma só: sorte.

Claro que há seriedade e bons propósitos nas pesquisas de intenção de votos. O que ferra os institutos é a abertura das urnas. As demais pesquisas de opinião não sofrem do mesmo mal. Ninguém sai na rua a conferir se 35,6% da população tem no samba o seu ritmo favorito. Razão pela qual tenho grande solidariedade com quem trabalha com previsão do tempo.

Mas quando a pesquisa de opinião não tem de ser confrontada com a realidade, tenho minhas dúvidas. O problema é que ninguém consegue obter respostas sinceras. O marido pergunta para sua mulher o que ela quer ganhar de aniversário. Ela diz que não quer nada, alega que já tem tudo o que precisa. A diferença entre o pesquisador e o marido é que o pesquisador leva a resposta a sério e a tabula.

As pesquisas de opinião são muito utilizadas também para minimizar os erros no lançamento de produtos, serviços e ideias. Em geral, elas buscam revelar grandes enigmas como: se as pessoas gostariam de ter salários maiores, se preferem ter boa saúde a estar doentes, se trocariam seu emprego desestimulante por uma atividade mais vibrante.

Já as pesquisas estatísticas servem para nos confortar e dar a sensação de compreensão do mundo em que vivemos. Você lê, por exemplo, que o número médio de seguidores que uma pessoa tem no Twiiter é de 127 e fica feliz da vida com os seus míseros 130. Aliás, gosto muito de uma piada que diz que existem três tipos de estatísticos: os que sabem contar e os que não sabem.

Pra encerrar, fiz uma ligeira pesquisa aqui em casa sobre este post: 50% das pessoas que leram ficaram encantadas e 50% reagiram perguntando “você não vai publicar isso, né?” A amostragem entrevistou duas pessoas, eu e minha mulher, durante o período da novela das 8 de ontem. A pesquisa foi registrada sob número de 171.

 

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